1º pedido: "Fala dos Red Wings"
Atendendo a pedido de um fã do esporte, falaremos um pouco do Detroit Red Wings e sua complicada realidade.
06-02-2017
Escrito por: Rafael Carvalho
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Recentemente, em uma de nossas postagens no Facebook, que na oportunidade divulgamos nosso Icecast (clique aqui para ouvir), um – acredito que seja – torcedor dos Red Wings disse que precisaríamos discutir “o que virou” o Detroit Red Wings.

Como não sou de fugir da raia e não sei a pauta para o nosso próximo programa e muito menos a data, nas linhas abaixo colocarei o meu ponto de vista sobre o que está rolando com a equipe da cidade do motor.

Falar que a saída de Pavel Datsyuk refletiu diretamente no declínio da equipe seria injusto com a grandeza da equipe – que é a maior vencedora da terra yankee. Mas é fato que sem o camisa 13 a missão de ir para o 26º playoff de forma consecutiva mais complicada. Porém não impossível.

É bem verdade, que mesmo com a idade já avançada, na temporada passada os principais pontuadores da equipe de Michigan já vinham mostrando certo declínio em suas respectivas pontuações.
Para se ter uma ideia, Henrik Zetterberg foi o principal pointer da equipe com 50 pontos 82 jogos e Datsyuk, mesmo disputando 66 partidas somou 1 ponto a menos. Enquanto isso, o campeão da Copa Stanley, Pittsburgh Penguins, teve o capitão Sidney Crosby como seu principal pontuador com 85 pontos (80 jogos) e Kris Letant com 65 pontos em 71 jogos. Indo um pouco mais longe, o Toronto Maple Leafs, que foi a pior equipe da temporada passada com 69 pontos teve Nazem Kadri com 45 pontos em 76 jogos e PA Parenteau com 41 em 77 jogos.
Como dá pra se ver, o declínio já era notório dos principais pontuadores.

Ainda em relação à temporada passada, o head coach Jeff Blashill teve um “belo” problema para resolver. Os goleiros Jimmy Howard e Petr Mrazek jogaram em altíssimo nível. Durante a temporada regular, Mrazek teve 27 vitórias em 49 jogos começados, com um save% de .921 e uma média de 2.33 gols sofridos por jogo. Enquanto isso, Howard venceu 14 dos 33 começados, com save de .906% e um GAA de 2.80.
Nos playoffs, Mrazek teve um sensacional save% de .945 e 1.36 gols sofridos por jogo e uma vitória em dois jogos. Howard acumulou duas derrotas em dois jogos começados, e não foi tão bem quando Mrazek com uma média de quase quatro gols sofridos por jogo e save% de .891.

Opa... Parece que a situação no gol para a temporada que viria seria facilmente resolvido e com a expansão para Las Vegas seria notório que a equipe liberaria Howard, Mrazek assumiria e a história continuaria a ser escrita.

Eis que a temporada 2016-17 chegou, mas a história no gol se complicou um pouco. Mrazek, em tese o starter da equipe, em 25 jogos começados, amaga 12 derrotas, média acima de três gols sofridos por jogo e a média de .899 save%. Howard que deveria assumir a bronca perdeu tempo por uma torsão no joelho e Jared Coreau teve que ser chamado “às pressas” para assumir a meta da equipe. Até agora, o rookie começou 12 partidas e venceu apenas cinco delas com mais de três gols sofridos por jogo e um save% de .901. – Que tragédia.
Em tese, o “descartável” Howard ganhou “até o momento” o posto de principal goleiro da equipe com menos de dois gols sofridos por jogo, média de .934 defesas feitas em 15 partidas iniciadas.

- O gol que deveria ser o ponto forte da equipe, está deixando muito a desejar.

Antes de começar a falar nos jogadores que chegaram, precisamos também destacar a decepcionante temporada de Dylan Larkin. – Vale lembrar que no inicio da temporada passada, Datsyuk se lesionou e Larkin ganhou a vaga no roster principal e fez um tremendo barulho. Tanto que o treinador, quando Datsyuk estava pronto deslocou o veterano para jogar de winger mantendo assim o rookie na posição de central.

Com o retorno de Datsyuk para à Russia, Larkin ganharia assim a sua vaga definitiva no principal elenco da equipe e diferentemente da temporada passada o mesmo estaria pronto para isso, se dedicaria para isso. Eis que 50 jogos depois, a marca não supera 18 pontos.
Enquanto isso o defensor Mike Green, soma 25 pontos com seis jogos a menos.

Já que foi citado um defensor neste determinado ponto, o principal da equipe, Niklas Kronwall perdeu os primeiros 22 jogos da equipe por lesão no joelho. Fato de culminou com o jogador fora da World Cup of Hockey antes do inicio da temporada da NHL, desfalcando assim a seleção sueca. A última partida disputado havia sido nos playoffs da temporada passada, quando a equipe caiu para o Tampa Bay Lightning na primeira rodada. 30 jogos depois são cinco pontos (cinco assistências) e o plus/minus de -2.

Agregando para essa temporada, os Red Wings trouxeram Steve Ott do St. Louis Blues por 800 mil dólares. Hoje o jogador está na lista de contundidos com quatro pontos em 37 jogos. – Não é de se esperar grande coisa, de fato.
Frans Nielsen, ex New York Islanders ganhou um longo contrato de seis anos e embolsará 31,5 milhões de dólares e após 51 jogos são 26 pontos somado sendo o 6º maior pontuador da equipe. Com os Isles na última temporada, Nielsen somou 52 pontos em 81 jogos. – Hoje fica difícil imaginar que ele chegue perto desta marca devida a quantidade de jogos que faltam para o fim da temporada regular.
Thomas Vanek chegou após duas temporadas com o Minnesota Wild por um contrato de uma temporada no valor de 2,6 milhões de dólares e hoje é o segundo principal pontuador da equipe com 32 pontos em 40 jogos. – Este sim talvez esteja bem próximo do que fez na temporada passada, que foi 41 pontos em 74 jogos, mas parece estar bem distante dos 52 pontos da temporada 2014-15. Porém, já se fala de uma provável troca do jogador no trade deadline.

Parte da conclusão seria botar na conta dos recém-chegados o declínio da equipe, mas isso seria cruel para com os mesmos, pois a equipe já mostrava uma queda de rendimento principalmente pela alta média de idade que já iria fazer esse “trabalho sujo”.

Em contra partida seria a temporada para Gustav Nyquist, Tomas Tatar e Danny DeKeyser pegarem o bastão da equipe e assim mantê-la em um nível alto a ponto de não correr riscos de ficar de fora dos playoffs após 25 temporadas.
Porém hoje, os números são alarmantes, Nyquist soma 27 pontos em 52 jogos, Tatar soma 26 com a mesma quantidade de jogos e DeKeyser com míseros oito pontos com o mesmo número de jogos.

Qual o balanço que se chega com tudo isso?
- Como acontece em quase todas as equipes, o fim de uma era/dinastia também está chegando ao fim em Detroit, como era de se esperar e as novas promessas da equipe deveriam estar em erupção justamente agora enquanto as velhas peças encerram-se seus ciclos naturais. Mas ao invés disso, jogadores que foram trazidos para ajudar de qualquer maneira vêm desempenhando melhores papais do que aqueles que se esperariam isso, mas foi o inverso e isso vem se refletindo de uma maneira negativa. Ainda pode dar certo, mas o tempo está acabando.

E por fim, o gol que parecia ser o ponto forte da equipe, hoje é um ponto alarmante e pra quem dava favas contadas de que Howard seria liberado para a expansão e/ou até mesmo uma trade – agora ou na offseason –, hoje não se dá pra cravar 100% isso, pois o camisa 35 ainda com seus 32 anos de idade pode ainda contribuir em alto nível e garantir no mínimo, “em tese” 5 temporadas. Tempo suficiente para a equipe se organizar nos bastidores e draftar outro goleio até que o ciclo dele chegue ao fim, seguindo assim a ordem natural das coisas.

A saída de Mike Babcock pode estar sendo refletida agora, pois na temporada passada – a de estreia de Blashill –, podemos dizer que a equipe ainda estava no “piloto automático” e só agora viera a sentir uma nova realidade.

Qual é a realidade hoje?
- 53 pontos em 52 jogos: 6ª posição da Divisão Atlântica e a nove pontos da segunda vaga no wild card, que agora pertence ao Philadelphia Flyers.
É uma realidade bastante complicada.

 

 

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